quinta-feira, 14 de julho de 2011

Programa do JÔ



No programa do JÔ

Verdade, quando recebi o telefonema da produção do Programa do JÔ, pensei que fosse um trote e fiquei furiosa. Depois, mesmo sendo verdade foi difícil acreditar.

Eu estava dentro do meu sonho! Viver um sonho é algo indescritível.

Contei à família e amigos vizinhos, eles imediatamente disseram, vai ser um sucesso. A primeira questão foi: a roupa! Muito firme eu disse que usaria meus sapatinhos vermelhos, nada mais me preocupava.

Quais seriam as perguntas do JÔ? Fui advertida que faria perguntas irônicas, tudo bem, vamos lá e assim me preparei para uma chuva torrencial de curiosidade da parte dele. Falava sozinha, ensaiava na frente do espelho, relia trechos do livro. Igor, meu gato não entendia o que estava acontecendo.

Outras entrevistas foram fáceis de encarar, mas agora eu estaria me expondo não apenas a minha cidade de Araras, mas ao Brasil e ao mundo! Tinha a responsabilidade e o dever de não decepcionar meus leitores e telespectadores onde quer que eles estivessem. Rezar, sim rezei! Nessa prova de fogo eu tinha que contar com meu Anjo da Guarda.

Quando o carro do Globo veio me buscar, quis dar uma volta olímpica na praça da cidade, mas o meu jeito simples de menina nascida na fazenda falou mais alto. Eu estava vivendo um Dia de Rainha, havia resgatado minha identidade, já ninguém mais me chamaria de louca, fomos direto ao estúdio em São Paulo.

Ao chegar, uma equipe me recebeu com as mordomias de chefe de estado e eu me lembrei quando aquele italiano, em Roma me perguntou, “Ma Dona, quanto?” Hoje eu tenho um valor indiscutível aos olhos de quem me vê como a mulher que foi pra guerra não pra morrer e sim viver.

À entrada do camarim estava meu nome, um luxo!

Tudo passou muito rápido, vestir, maquiar, ajeitar o microfone invisível e num piscar de olhos eu estava diante do JÔ!

Olho no olho, nos vimos com o mais belo sinal de aprovação. Ele que esperava por uma senhora velhinha do interior, se surpreendeu ao máximo, eu com o coração descompassado na presença daquele homem dono de uma magia incomparável, tremia. Apenas um sorriso, um abraço, um beijo na face e o gelo se desfez...

As pessoas apinhadas na platéia, meus filhos ali também, naquele momento eu me senti a mais feliz das criaturas, no pico do Everest, para tranquilamente falar o que me levou a escrever “Vôo Livre”.

JÔ é de uma simpatia e um charme sem igual, ele me encantava e eu o cativava com respostas simples e transparentes. Poderíamos ficar conversando a noite toda sem perceber o tempo passar!

Na caneca do JÔ, naquele momento de gloria, eu tomei o melhor de todos os vinhos!









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